Eu passei uma vida toda ouvindo estórias.Então chega ao ponto que tenho de contar as minhas.

Contos de CharonttE


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Sexta-feira :::

O que Obama vai fazer

Finalmente uma coisa nova, mas nem tão surpreendente, aconteceu no mundo. Precisamente na terra do fast food um negro, nem tão negro, está indo ocupar a poltrona mais perigosa do mundo. Tal fato já era esperado aos tantos apreciadores da mídia de massa que sempre foi palco de mensagens subliminares ao longo de sua vida. De forma homeopática ficou claro que o amor, o certo, a bondade e os mocinhos sempre vencem.

Tendo como base isso estou aqui disposto a lançar algumas teorias sobre o futuro do mandato do Obama:

1 - vai ser muito mais difícil entrar nos EUA. A crise deixou o mundo praticamente sem dinheiro real. E não tem muito sentido apoiar a presença de novos imigrantes levando para os países de origem o pouco que sobrou. A política de descer o sarrafo nos estrangeiros, intensificada pelo Bush filho, nutriu resultados medonhos. Assim eu penso que seu Barack, democrata dos bons, vai desenvolver duas frentes de trabalho ao longo desses primeiros quatro anos para manter os chicanos nos seu cantinho e acharem isso bom: a primeira frente vai pegar metade da grana que ainda está no caixa para investir no crescimento do mercado externo. Compra o que o mundo lhe oferece, mas dizendo o que eles devem fabricar. O mundo vira uma enorme fábrica de componentes. Isso acarretará em estimulo maior na produção e necessidade de mão-de-obra. Em outras palavras eles dizem ao emigrante: estrangeiro fique em casa, pois tem trabalho e dinheiro suficiente para você nas fábricas. O produto final (que não faço a mínima idéia do que seja) será desenvolvido em solo Norte Americano e vendido ao resto do mundo para recuperar o capital aplicado. a segunda frente de trabalho por sua vez pegará a outra metade do dinheiro em caixa e vai comprar toda a mercadoria interna para gerar comercio e reaquecer a economia como fez o Roosevelt e as grandes obras públicas. Quando as duas frentes de trabalho se encontrarem acredito que saibam o que fazer quando o poder voltar para as mãos do tio Sam.

2 - Obama vai enfrentar uma crise que já apareceu em algum filme. Como ele é negro eu só penso em asteróides ou terroristas de posse de arsenal nuclear. Ele vai se foder na hora em maior ou menor grau, mas faz aquilo que deveria ser feito. Como o blog é meu digo que legal seria um monstro gigante saindo do mar.

3 - Esse é o primeiro passo para a chegada do Exterminador do futuro no poder. a premissa vai partir do seguinte raciocínio lógico. A América (do norte) sempre se orgulhou de ser uma terra onde todos que estivessem dispostos teriam a sua chance. Um reino de gente que pode colocar suas divergências raciais de lado para por um descendente de quenianos capaz prometer por uma quadra de basquete na casa branca e o fim de Guantánamo. Ora, sabemos, pois que os EUA são uma nação desenvolvida pelo esforço dos imigrantes. Os estrangeiros fundaram aquela terra que deu trabalho, raiva e orgulho para o mundo. Uma nação de refugiados que vieram tentar a vida. Assim sendo, excluir o direito de um estrangeiro cheio de boas intenções e capacidade para aquele canto a presidência é renegar o passado cheio de valores. Agora vejamos: Schwarzenegger é branco, loiro, olhos claros e tem origem européia. Isso soa como certo para a conservadora ala daquele país. Para agradar aos outros nada como a sua historia como matador de todos aqueles que estão contra seus objetivos. Para você ter uma idéia do que eu estou falando não se esqueça que no filme do seu colega Stallone, O demolidor. Em determinada cena o policial revivido passa pela Biblioteca Publica Schwarzenegger e lá tem toda a defesa do caso desse cidadão que vai conseguir colocar pra frente o IV Heich

4 - Não vai liberar a maconha a não ser que no segundo mandato ela já tenha se popularizado. Pelos clipes de HIPHOP Gansta que vivem passando na MTV de lá os negros conseguiram: chegaram ao poder do topo do mundo!

5 - A primeira grande viagem internacional que ele vai fazer vai ser para a china. Acredito que ele vai lá para adiar a grande guerra entre deles daqui a alguns anos na frente. Não creio que os chineses percam essa chance de ouro.

6 - A primeira ao Brasil só no terceiro ano de governo. Preciso falar alguma coisa?

7 - A grande viagem da minha mente: Ele pinta a parte externa da casa nova dele só para provocar e começar uma guerra civil onde os brancos vão ser os escravos dessa vez. Afinal, hoje a maioria do exercito (infantaria) dos EUA é composta por negros. Se eles forem espertos tomam o país de assalto como Júlio Cezar fazia com suas tropas no auge do seu poder no império romano. Ia ser uma onda. Claro que um oficial negro em cada posto de comando também ajudaria um possível motim, não é?

Bem amigos, por hoje é só. Até um dia e beijo no coração, pois eu quero ver o circo pegar fogo!



::: posted by RICARDO WANDERLEY GOMES SILVA at 12:15 AM


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Segunda-feira :::

Se você conseguiu adiantar algo...

Estamos com a farta sensação que estamos sempre atrasados. Na tentativa de combater esse mal o homem moderno desenvolve técnicas de drible na péssima sensação que vamos chegar tarde. Uma das mais comuns é o relógio adiantado. Ficou quase démodé termos um relógio adiantado em casa em alguns minutos. Mas assim como o jeans, o celular e o computador pessoal percebi quem nem ligava tanto para esse fato.

(pausa dramática para a teoria)

até que pari a dúvida:

Se uma boa parte de nós tem um relógio adiantado em casa (10, 15, 20 minutos. Sei lá o quanto você se acha atrasado!) o quanto que o tempo adiantou desde que foi medido anos atrás?

Cheguei a esse encucamento porque o tempo é uma grandeza referencial.

Já que é uma referencia depende de outra para servir de base, quem garante que os relógios adiantados que nos baseamos não se basearam em outros relógios já adiantados?

Enquanto você pensa saboreie o prato desta noite:

Ave do Canto.

Ingredientes:

Um pedaço grande por convidado de ave pré-temperada a sua escolha;
Óleo de sua preferência (pense em azeite de oliva que faz bem para alma);
Molho de tomate com manjericão;
Orégano ou queijo ralado;

Modo de preparo:

Frite a carne com cuidado para não queimar numa frigideira com um pouco do óleo.
Quando estiver bem frita a deposite no prato e despeje sobre a peça o molho de tomate com manjericão fartamente.
Polvilhe com orégano ou queijo ralado

Sirva em um prato raso.
Dica do chief: caso queira caprichar na quantidade de molho ponha os pedaços de ave numa tirrina grande e o molho em um recipiente fundo para que todo mundo possa despejar e se lambuzar a vontade.

Pode servir!

Come com as mãos pois é mais legal ^^

(antes e depois de fazer qualquer coisa dessas tu lava as mãos na pia)



::: posted by RICARDO WANDERLEY GOMES SILVA at 8:35 PM


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Terça-feira :::

Definições:

Erro - ato ou ação que não ocorre da forma esperada. Acontece quando não se avalia bem as oportunidades que acontecem na vida e o resultado final é desastroso. É constatado após reflexão em um tempo variável onde se percebe uma grande besteira. Pode ser previsto se os envolvidos na ação tenham passado por algo semelhante. Normalmente sua constatação é ruim e passível de arrependimento que (felizmente) não mata.

Permanecer no erro - Atitude de gente burra de acreditar que agiu corretamente, mas não dispunha de variáveis favoráveis a seu favor. Acabam sempre culpando os outros. Assim, insiste em reconstruir um tempo especifico em que as variáveis previstas possam ter uma nova oportunidade de ocorrer. O evento também pode ocorrer ignorando completamente os acidentes de percurso. Seu destino leva invariavelmente ao erro cíclico.

Insistir no erro - Tentativa de provar que nunca houve erro algum. Seus praticantes são taxados pelos demais agentes externos de desinteressados de outras opções, loucos ou em alguns casos obcecados. Precisa de longo tempo para agir de forma eficiente. Costumam passar por longos períodos de privação onde criam novas possibilidades para reconstruir tudo que imaginam. As associações e certezas de que nunca houve erro – ocorridas no momento de privação – reforçam as crenças de que o problema encontra-se nos outros que não sentem o que deve ser sentido. Ainda são muito freqüentes os casos de indivíduos que agem desse modo por saberem que, caso estejam certos, não haverá alegria nem recompensa maior de ter seguido em frente e não se amedrontar com o mundo. Está implicitamente associado à fé e assumir riscos.

Loucura - Ato constante de insistir no erro (existente ou não). Contraria o senso comum e a lógica, grande inimiga da vida. Pressupõe-se que os usuários da loucura estão de visita em um planeta que não os compreendem. O julgamento de um indivíduo louco é tradicionalmente presidido por agentes externos incapazes de admitir uma vida diferente. Assim, podem ser perseguidos ou mal interpretados pelos seus semelhantes. Na realidade há uma pontinha que esconde um iceberg de vontade de ser assim. Semelhante a apaixonado.

Apaixonado - Ato ou estagio de vida onde se percebe que o mundo é um lugar muito bom de viver. Trata-se de uma força poderosa inquieta e furiosa. Quando ativada é capaz de mudar cursos de rios, vidas e nações. Não dispõe de uma velocidade menor ou prazo de duração específico. Pode ser mantida à medida que certas confirmações de insistência de erro são atestadas como verdadeiras. Seu estágio mais elaborado costuma ser mais calmo e ponderado. Ao revisar o passado e suas ações percebe-se uma incompreensão justificável sobre os riscos assumidos.

Quem acredita no amor - Gente que sente que tudo aquilo da vida vale a pena por saber que o motivo de sua alegria existe e é conhecido por quem o ama. Quando é correspondido o universo faz sentido. Estágio almejado por muitos e alcançado por poucos ridículos dispostos a serem loucos e cheio de erros.




::: posted by RICARDO WANDERLEY GOMES SILVA at 4:36 PM


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Quarta-feira :::

O significado da Palavra sentai

Inicia-se 1975, no Japão, uma das mais fantásticas e lucrativas séries de televisão: O Super Sentai (uma tradução seria algo puxando para “Super Esquadrão”). Durando até os dias atuais essas séries encantam cada vez mais crianças, jovens e porque não adultos do país de origem. Epopéias de heróis com enredo um pouco de drama, palhaçada, amores impossíveis, e muita, mais muita ação, além dos infinitos efeitos especiais. Tudo num clima de atitudes que só um povo que come de palitinhos, tira o sapato antes de entrar em casa normalmente, escreve com desenhos complicados, morre de medo de jogar lixo no chão e não tem uma religião baseada em um Deus supremo e inalcançável, mas em um ser humano que por determinação e vontade própria conquistou a ascensão e nunca disse que ele seria o único a alcançar tal estágio poderia fazer.
Imagine os super sentais como as novelas para o brasileiro. Pesado, heim? Então pense mais um pouco: se a Grande Prateada até hoje vive ganhando rios de dinheiro com o licenciamento de novelas exportadas para todo o mundo (depois veja no youtube “A Escrava Isaura” dublada em todos os idiomas disponíveis) e se hoje em dia praticamente todo canal de TV aberta possui seu núcleo de novelas, então é lógico que as produtoras japonesas embarcariam num fenômeno semelhante. Multicolorido, feito de monstros emborrachados, maquetes de isopor e papel que explodem enchendo os olhos da pivetada doida para consumir tudo aquilo quando tiver dinheiro. Nesse campo a Toei Company (uma das maiores produtoras de TV do Japão) mostrou-se incomparável. Iniciando sua carreira com a séries Himitsu Sentai Goranger e JAKQ Dengeki Tai (criação de Shôtarô Ishinomori), ela produz sozinha uma nova série em média de 50 episódios consecutivos todos os anos, com meia hora de duração, exibindo-os semanalmente em rede nacional. Eles mantêm o espaço no canal baseados apenas nas vendas dos produtos relacionados (camisas, bonequinhos, fantasias, lancheiras, celulares, modinhas e afins...). O risco de errar o tiro diminui consideravelmente, já que comprar feito é mais barato que mandar fazer.
Mas se você pensa que é só os japoneses que fazem isso levou uma sobrada. A MTV gringa e Disney atualmente decidiram de uns tempos para cá não criar um programa sequer. Eles compram/bancam os projetos prontos de outras produtoras menores e põem a marca deles. Os lucros são divididos como um licenciamento de marca e todo mundo sai ganhando. Fica aqui entre nós, mas tem sido isso que tem salvado a Globo até hoje.
Mas voltemos aos nossos heróis. As histórias, caráter e enredo mudam com cada nova série, o conceito básico sempre permanece o mesmo: a Terra está sendo ameaçada por uma força malévola e a humanidade é ameaçada.
A única esperança está nas mãos de um time de guerreiros que se tornam super poderosos graças a uma fantástica transformação. Os cinco garotos e garotas escolhidos costumam serem pessoas comuns, de forte espírito comunitário e social. Mas ao longo da série a necessidade de vender bonequinhos legais faz com que surja mais um herói ou mais. Basicamente são um líder de cor de uniforme vermelho, um rival, um lutador forte, uma moça esperta e ativa (em séries mais antigas um rapaz com espírito de meninão), uma moça gentil (embora mulheres também possam ocupar outros papéis de time) e o retardatário que costuma ser muito mais cheio de recursos e novidades e pega a cor que não usaram ainda. Contudo um aviso: embora cada guerreiro possua poderes especiais, todo o mundo é considerado igual. No fim, é trabalho em equipe é a maior força do grupo – mas que o vermelho costuma pegar praticamente todas as armas, apetrechos e robôs gigantes ninguém deixa de admitir!
Também prevalecente nestas séries a forte relação de estudante-professor. Os guerreiros são fidelíssimos ao e o seu comandante, família acaba em segundo lugar mais de uma vez por conta do trabalho de salvar a terra. E quando o japinha da vida real cresce a empresa dele vai viver nas alturas por conta de seu esforço implacável. Viva a propaganda subliminar!
O time do mal é sempre composto por um general maligno que tem uma implicância com o líder da equipe do bem, uma mulher fatal que é doida para ter alguma coisa com o líder, uns dois ou três personagens curingas que variam dos desejosos no comando até os perfeitos paspalhos que só fazem apanhar quando o grande Mal Personificado falha miseravelmente. Ao longo da série eles são sacrificados ou mudam de lado quando a coisa aperta para o lado deles.
Ultimamente, até mesmo a série de sentai mais sérias estão adquirindo um caráter humorístico fortíssimo. Os heróis de antigamente perdem um pouco de sua imagem sisuda para um reencontro com os seus fãs. Imagine uma coisa do nível das celebridades nos Simpsons ou o Hércules passeando nos Episódios da Xena. No Brasil lembro isso com a Dona Armenia que conseguiu passar de uma novela para outra (com direito a filharada original e tudo mais) sem maiores problemas. Só deixou de ser a vilã principal da “Rainha da Sucata” para ser dona de pensão mequetrefe em “Deus nos Acuda!”.
Vou ver se escrevo no futuro uma lista de indagações a respeito do tema. Dentre elas: qual a explicação para só chamarem o robô gigante no fim da surra ou não apontarem a bazuca para o monstro que faz o monstro derrotado crescer? Agora que você já sabe alguma coisa sobre esse gênero cinematográfico, aguarde e confie “o da potrona!”




::: posted by RICARDO WANDERLEY GOMES SILVA at 11:49 PM


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Segunda-feira :::

Telemarketing

- Tele-Spank, Ronaldo Moreira, com quem estou falando?
- Oi, eu queria saber quanto ta custando uma surra.
- Claro senhor...?
- Matias.
- Matias! O senhor poderia ser mais específico? Temos várias opções de métodos de dor.
- Assim fica difícil. Não tinha nada em mente.
- Não se preocupe senhor Matias. Vou estar lhe fazendo algumas perguntas para que possamos estar encontrando um tipo de serviço que se enquadre no seu perfil. Poderia por gentileza me dizer o nome do infeliz e o máximo de dados possíveis para que nós já possamos ter raiva do desgraçado?
- Carlos André. Ele Mora no Residencial Boa Viagem, apartamento 106. Trabalha como técnico de informática a domicilio.
- Qual o motivo da desavença?
- O safado come minha mulher ha quatro meses. Descobri essa semana.
- Compreendo senhor Matias. Realmente é constrangedor. O senhor prefere que esse viado filho de uma cachorra sebosa saiba por que está apanhando ou prefere manter o sigilo?
- Não! Eu o quero sofrendo! Mas quero só um susto, sabe? Nada de muito grave. Sem muito sangue ou danos materiais irreparáveis. Apenas para desencorajar novas investidas desse metido a gostoso. Pode ser uma simulação com um dos seus capangas se desentendendo com ele em algum lugar publico e então... Olha, que ele não tenha coragem de sair de casa e nunca mais se engrace por minha mulher e a de mais ninguém, pois eu sei que ele vive disso! Mas precisa fazer com que ele não tenha coragem de dar parte de mim na policia.
- O termo correto para se referir a nossos funcionários é “executor” e pelo serviço que está adquirindo podemos lhe assegurar que a queixa dele não sai da mesa do escrivão. Acredito que já possuímos algo que lhe agrade. Temos o pacote standard oferecendo até dois espancadores de tamanho médio, autorizados a darem golpes distribuídos entre socos, chutes e o que mais o senhor achar conveniente. Já o Premium, além de tudo que eu já disse, garante pelo menos um membro quebrado. Por um pouco mais posso lhe aumentar em mais quatro o número de espancadores envolvidos. Todos garantem um rosto bem feio.
- Me interessei pelo segundo que você falou com o adicional de “executores”. Custa quanto?
- O valor total do serviço é de dois mil reais.
- Ficou meio salgado...
- Pode ser, mas sua honra não tem preço. Felizmente o senhor pode estar parcelando este valor sem juros em oito vezes no Master, no Visa e em até dez vezes no Hiper. O senhor pode estar me passando o numero do seu cartão e do seu CPF?
- Vou ficar no hiper. Parcele aí até onde der. Anote aí 0022 00258 014. O do CPF é quatro cinco meia, ponto sete oito nove, ponto quatro cinco meia, dígito zero zero.
- Aguarde por gentileza enquanto finalizo seu pedido, senhor Matias. Enquanto isso gostaria de se inscrever no nosso programa de fidelização? A cada vez que o senhor utiliza o nosso serviço vai arrecadando pontos que podem ser revertidos em descontos em magazines, casas de evento, acumulo de milhas de viagens, brindes e sorteios exclusivos. Essa semana saiu um Fiesta zerinho para um cidadão de sua cidade.
- Parece interessante. Como faço para participar?
- É gratuito. Efetuando o pagamento da primeira fatura o senhor já acumula cem pontos além daqueles adquiridos com a aquisição do orçamento que estamos negociando. O cartão chegará juntamente com a sua fatura, via correio postal. Depois de receber a sua senha o senhor também poderá solicitar o nosso serviço via internet. Antes de concluirmos a nossa transação, senhor Matias o senhor compreende e aceita as implicações legais que estão sendo postas nesta conversa e assume conscientemente a responsabilidade por quaisquer tipos de dano promovidos ao alvo durante o processo de execução do plano de serviço escolhido pelo senhor?
- ... Aceito.
- Ótimo senhor. Aguarde enquanto lhe transfiro para o setor responsável pelo cadastro no programa de fidelização. Tenha um bom dia.

(no fim do dia, o supervisor fala "pessoal precisamos diminuir o nosso TMA" e ele nem liga mais)



::: posted by RICARDO WANDERLEY GOMES SILVA at 11:25 PM


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Domingo :::

Reconhece essa musica?

São três da madrugada. Chuva batendo na janela numa cantoria de ninar impecável. Uma cama box enorme de lençóis de seda, edredons e travesseiros que exalam aroma de camomila. Há pelo menos 3 horas o único som humano que se escuta nesse quarto é a respiração da mulher que é a atual usuária de tudo aquilo. Debaixo do edredom habita a dona da respiração. Está dentro de uma camisola de rendas que lhe desce até as coxas, sem nada para proteger seu sexo – fruto de um hábito preservado desde a tenra infância.
Para nossa protagonista dormir é um ritual sagrado de voltar a ser o mais próximo do que ela se lembra de si mesma. Crê fervorosamente que enquanto permanecer ali o seu rosto de porcelana fina resgatará a forma original cujas rugas do transito estático de vários quilômetros, o trabalho estafante, almoço sem tempero e contas ainda não pagas cravaram-lhe para corromper a bela tez. Atualmente ainda se mostra satisfeita com o que enxerga. Vive um empate técnico. Infelizmente a pele firme tem vacilado na batalha do tempo e cada dia ela acorda precisando de mais forças para se acostumar com aquela estranha vagamente familiar. Como não tem tido paz suficiente as entradas e dobras ganham significativo terreno manhã após manhã. Especula utilizar uma porção extra de creme rejuvenescedor ou sair com um saco na cabeça. Pelo menos a mascara pausaria o tempo. Enfim, tudo são devaneios e conjecturas de um futuro impossível de ser derrotado. Mesmo assim ela credita ganhar a batalha hoje.
Então algo de errado acontece no mundo dos sonhos. O rapaz galante do filme é interrompido por um barulho inconveniente que lhe tira a atenção. Ele fala aquele apito musicado sem sentido. Pessoas ao redor só se comunicam balbuciando o mesmo grito. Ninguém entende. O ruído faz parte daquele mundo e estão todos ficando loucos! Então ela percebe que o seu telefone está tocando. Frustrada por aquilo ser um sonho, volta para nosso mundo catando o aparelho desgraçado que insiste em gritar. Ela vai acabar com aquele sofrimento, pois vai desligá-lo assim que o encontrar. Não vai atender nada e vai voltar ao ritual. Se tudo correr bem nem vai notar no outro dia que o sonho foi interrompido. Quem sabe até descobre por lá um meio de ficar para sempre naquelas bandas, basta só voltar a dormir. Mas o tal estava difícil de ser encontrado e isso acarretou numa doze maior de estímulo de despertar. Quando finalmente o descobriu dentro da gaveta do criado-mudo já estava sentada na cama, não parecendo em mais nada com a mulher do início do conto. O brilho emitido lhe roubou a ultima das esperanças de voltar à realidade fantástica. O jeito era atender e seguir a vida com mais uma derrota nas costas. Poderia ser importante.
Com o celular já em punho, berrando feito recém nascido desmamado, ela encontrou o nome do sem-alma que lhe tirou do transe e a batalha entre ódio e amor começou entro de si mesma com vencedor em menos de 2 segundos de conflito. O que diabos aconteceu para ele ligar naquela hora. Engoliu as raivas e atendeu com o mais próximo do que reconhecia como voz.
- Oi marquinhos... - um barulho enorme transformou o quarto em música horrivel nas alturas, luzes de todos os lados, gente conversando, mais celulares tocando e vibrando, copos secos e cheios, cerveja, mulheres raparigando, gente pedindo alguma coisa, tira-gosto, suor, calor, lama e tudo mais. Agora que o sono ia ter um trabalho em dobro para voltar. No meio daquele inferno ela reconheceu a voz do namorado cheio de romance.
- Ei menina, tais em casa, né? Oa, tou aqui num bar perto da tua casa, tomando uma mais a galera do trabalho. Mas eu chego já por aí! Já vá fazendo a cama porque quem tu ama chega daqui a pouquinho, ví!?
O som descompassado das sílabas revelou uma criatura, que caso não batesse o carro no caminho molhado de chuva entraria quarto a dentro encharcado e fedendo a suor azedo, lhe arrancando o edredom para lhe chegar ao corpo que só precisa de descanso. Meteria um caralho molenga numa vagina seca até conseguir uma gozada para dormir por cima dela feito um porco, caso ainda tivesse forças para tanto.
- Mas vá tomar no cú, não! – falou decidida. Desligou o telefone e o sacudiu no outro canto do quarto. Ainda teria algumas horas para voltar a ser feliz naquela noite e quem sabe o bonitão do filme passasse mais um sonho ao seu lado.




::: posted by RICARDO WANDERLEY GOMES SILVA at 4:38 PM


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Sábado :::

Questionário Sócio Cultural apenas para fim de cadastro.

01- Que horas são?

11:12. Uma das melhores horas para apreciar Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem. Contudo, se pararmos para pensar com mais calma, todos os horários são excelentes para esse fim.

02- Nome?
Bruno Nicolau Silva - O adorador de Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem

03 - Quantidade de velas no teu último aniversário?

56. Uma quantidade que sonho ter a minha disposição de Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem.

04- Tatuagens?

Apenas uma. Representa a minha admiração por Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem.

06 - Piercings?

Muito poucos e normais. São três no meu pênis e um em cada mamilo. Pessoalmente os que estão localizados nos corpos de Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem são muito mais atraentes, assim suponho.

07 - Já foi à África?

Não. Lá não vivem as Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem.

08 - Já ficou bêbado?

Já. E em todo o momento pensei nas Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem.

09 - Já chorou por alguém?

Apenas quando não estava na companhia das Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem.

10 - Já esteve envolvido em algum acidente de carro, como?

SIM. Nada digno de nota. Estiveram envolvidos no acidente uma vaca, um ônibus escolar, algumas Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem e uma retroescavadeira que havia tomado emprestado e esqueci de avisar aos donos.

11 - Peixe ou carne?

Nenhum dos dois. Apenas Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obsecadas por sexo selvagem como três refeições diárias.

12 - Música preferida?

Qualquer uma que trate de Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem.

13 - Cerveja ou Champanhe?

Aquela capaz deixar as Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem mais interessadas por mim. Normalmente Nifetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obsecadas por sexo selvagem desejam de tudo um pouco.

14 - Metade cheio ou Metade vazio?

Isso realmente importa? Todos sabem que o que realmente vale a pena saber é que deve existir em algum lugar do mundo Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem. É papel de todo homem encontrá-las e satisfazer suas vontades.

15 - Lençóis de cama lisos ou estampados?

Pergunta irrelevante. Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem não se importam onde estejam deitadas (ou mesmo em pé). O calor de seus corpos exala desejo até mesmo em cima das mesas dos cafés, restaurantes, igrejas e demais passagens públicas.

16 - Filme preferido?

Qualquer um que tenha como protagonistas Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem. Outros não passam de desperdício de película e dinheiro.

17 – Flores?

As que estiverem próximas as Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem

18 - Coca-Cola simples ou com gelo?

Não tomo isso. Saboreio exclusivamente o gosto que provem das Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem.

19 - Quem lhe indicou para esse trabalho?

Um dos meus raros colegas que ainda não me processou ou solicitou a justiça uma ordem de restrição de presença. Mas definitivamente será muito melhor se fosse uma Ninfeta Ruiva de seios fartos da Noruega que é obcecadas por sexo selvagem

20 - Quem dos teus amigos vive mais longe?

Um monte, se é que ainda tenho. não ligo pois as vozes de Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem na minha cabeça me deixam ocupado. mas nenhum me faz mais falta do que as Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem

21 - O melhor amigo?

Qualquer um que me arranje Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem. Você tem condições de ser meu amigo?

22 – Em quanto tempo acredita que estará trabalhando para nós?

Não sei. Se forem Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem ficarei muito feliz em marcar um encontro. (por favor...)

23 - Quantas vezes você deixa tocar o telefone antes de atender, o que diz quando atende?

Quando se trata de Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem não perco tempo.

24 - Qual a figura do seu mouse-pad?

Ele é todo azul.

25 - CD preferido?

Veja a resposta da questão 12

26 - Mulher bonita?

Naftas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem. As outras não passam de lixo em cima de salto alto que sangram uma vez por mês.

27 - Homem bonito?

Não ligo para homens bonitos. meu viver se baseia em Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obsecadas por sexo selvagem. sim estou pensando nelas agora. É bom... Hum... realmente isso é muito bom.

28 - Pior sentimento do mundo?

A frustração de nunca ter tido a minha disposição Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem

29 - Melhor sentimento do mundo?

Estar rodeado de Nifetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obsecadas por sexo selvagem. Sei que não é um sentimento, mas quem liga?

30 - O que uma pessoa não pode ter para ficar com você?

Não ser uma Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem

31 - Qual o primeiro pensamento ao acordar?

Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem

32 - Se pudesse ser outra pessoa, quem seria?

O dono de um armazém carregado de Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem.

34 - O que é que você tem debaixo da cama?

uma compilação de vários dados referentes a vida, localização e obra de várias Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem que prosperaram nos meus sonhos.

35 - Qual a pessoa que talvez não te responda?

Não sei. Acho que todas. Mas se alguma delas pudesse repassar esse e-mail para uma Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem seria uma pessoa que eu me sentiria mais amigo em todos os tempos.

36 - Qual aquele que com certeza vai te responder?

Isso realmente interessa? O que importa na vida de um homem sem perversões sexuais são Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem.

37 - Quem gostaria que te respondesse?

Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem

38 - Uma frase:

Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem

39 - Que dia é hoje?

Sábado. Um dia que seria perfeito se eu estivesse na companhia de Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem

40 - Qual livro vc está lendo?

Um sobre Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem

41 - Uma saudade:

Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem

42 - Uma característica sua:

Um pequeno e saudável interesse mediano por Ninfetas Ruivas de seios fartos da Noruega que são obcecadas por sexo selvagem.

43 – Algum defeito?

Nenhum que me venha a mente no momento.



::: posted by RICARDO WANDERLEY GOMES SILVA at 6:26 PM


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Quinta-feira :::

Corre Menino, corre...

O menino saiu correndo gritando "Ai meu Deus, ai meu Deus, ai meu Deus! (...)" seguido pela provável dor que iria sentir personificada na figura do cacetete do policial militar. Homem duas vezes mais alto, de barriga proeminente paga pelo salário de fome, pele morena e bronzeada dos fins de semanas e folgas que pode pagar numa praia superlotada, forte que nem a lei que representa. Era o castigo divino do Deus que o menino gritava. Também era grande a força que punha paras as pernas aguentarem até aquele mal cansasse. E ele parou? Quem sabe, ainda?!

Os berros ruidosos daquela boca sem dentes bons, ocupada freqüentemente por uma garrafa de plástico (reciclável em todos os aspectos), sempre servida de cola de sapateiro, conquistada duras penas eram desumanos como todos nós espectadores. Assim como as bagas dos maconheiros do Treze de maio que juntas formam um diviníssimos baseado de função pratica especifica de esquecer o mundo. Sorrindo para o nada de sua vida, estupraram os ouvidos do Deus que o menino pedia ajuda. Mas a entidade só teve coragem de acompanhar o desenrolar da trama na distancia segura do ponto onde estava. Melhor que na TV, muito mais intenso que o livro ou a coluna semanal do escritor que era fã. Calou-se a boca do centro da cidade para não perder o espetáculo. Transformou a vista em binóculo de alta resolução e ativou o "rec" da memória.

Não era o delírio promovido pela cola, o THC, a nicotina ou da fumaça pesada dos ônibus (que já vive na veia dele a mais tempo do que os intervalos entre as suas refeições) correndo obcecado por aquelas costas perfeitas para levar uma bela cipoada. Muito provavelmente mais de uma até o algoz se sentir cumprido a sua missão divina causando todo aquele choque no mundo. O menino despertou do sonho sabendo que era real feito a fome e a dor de acordar todo dia em um lugar novo e não saber mais o que é banho, gente que lhe trata pelo nome e andar sem despertar o medo nos olhos dos outros só porque esta andando na rua como todo cidadão livre temente a Deus, caçando o que comer nos pescoços de trancelins brilhantes, carteiras abarrotadas de dinheiro e valores ou relógios transformados em suculentas coxilhas oleosas, carregadas de maionese e demais condimentos para render mais ainda do que ela se propõe a fazer e aplacar o vácuo existencial (literal) que existe no seu estômago. Suas células morrendo a cada dia são a sua versão particular de filhos pedindo ao pai que os alimente já ou a morte chega com menos tempo.

E lá se foi gritando e pedindo ajuda. E fato seja dito, Deus estava lá vendo implacável. Não para passar a mãos na sua cabeça quando tudo acabasse jogando fora aquela dor, muito menos se interpondo entre os dois corredores antes do teatro da dor ter inicio. Ele queria era sua cabeça transgressora. Nem precisou pedir ao seu representante legítimo que cumpria as suas ordens. A autoridade do local já agia instintivamente, graças ao treinamento desenvolvido para tais situações. Seu treinador ficaria orgulhoso.

Via-se Deus torcendo, em maior ou menor grau, para ambos. Não estava nenhum pouco interessado em interferir no curso da historia. Mesmo tendo poder de sobra para isso.

O mais forte dos dois se empenha ao máximo em cumprir com seu objetivo. Seu patrão estava lá, vendo o funcionário em plena atividade. Desafiando todos os riscos para pegar o mal pela camisa e dar-lhe uma lição que ele esquecerá dentro de alguns dias, quando a fome e o delírio forem maiores. Feito agora. Todo o incentivo que nosso defensor precisa para continuar se insistindo naquela situação (família, viagens, festas, vícios lícitos e moral) depende da justificativa do emprego perante seu patrão. Com um pouco de sorte O NOSSO soldado conseguirá impedir que o garoto cresça eliminando um problema no mundo. Deus ficará feliz com ele. Um pensamento simples demais para ser discutido.

E eu, Deus quando somado a todos os outros espectadores daquele espetáculo, ficava pensando sozinho "corre menino, corre. Sou Deus covarde demais para ir aí te proteger."




::: posted by RICARDO WANDERLEY GOMES SILVA at 8:44 PM


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Terça-feira :::

por que não deu certo?????


eu não sei se foi o obvio. a sensação descarada que não se pode tratar como mulher da sua vida uma pessoa que não tem o basico de postura necessária, já convivendo comigo agora quando solteira. trata-se do prenuncio de um romance sem grande proveito ou vontade de desenvolver-se como filmes e séries de TV, de finais felizes, dos amantes apavorados por tanta alegria que causam as constantes reviravoltas do roteiro me ensinaram ao longo de todos esses anos de dominação cultural velada e entorpecente. falo com destaque da minha vontade inconsciente de viver um amor sem paralelo apenas em L.A., New York, algum vilarejo ingles ou paisagem do rio de janeiro. aqui por minha vizinhança deve ser muito demodê.

acho que só a primeira parte do parágrafo anterior pode ser tratada como resposta decente. o resto é divagação.

Ah, como odeio a vida real no momento que lhe ponho a prova de contra minha vida forjada no encanto de todas as séries, novelas e desenhos animados ja vistos e discutidos na hora do recreio. sempre me afirmando em mil exemplos que tudo daria certo no fim. Malditos calhordas que resumem em questão de minutos varias horas e dias de vida, editadas de forma tedenciosamente perfeccionista. retiram assim justo a parte importante nessa vida sem trilha sonora, enquadramentos marcantes e visão externa de como a coisa está realmente acontecendo.

a expectativa de acertar resgata uma velha ladainha doida pra ser esquecida, mas que volta em passos cadenciados. revividos por mim a cada sentimento de raiva, negação, frustração, vingança e vazio difícil de ser preenchido. cuidado, estou potencialmente a solta!

dessa vez a experiencia me tratou de providenciar e contar com o apoio dos meus amigos que sempre me alertaram do pior que vinha por aquelas bandas de novas entemperes matrimoniais. somado ao um serviço na escola com forte sentimento comunitário e a esperança de um novo grupo social a medida que me tornarei frequentador de certos meios sociais. caí profissionalmente e sem torções ou mesmo cicatrizes visiveis. avaliando post's anteriores afirmo (que juntamente com respirar, coçar o saco, dormir em qualquer canto ao primeiro sinal de excesso de álcool no sangue, fazer graça de tudo e andar de bicicleta) como essa sendo a minha atual habilidade inata desenvolvida. os neurônios ja forjaram grandes ligações nervosas para essas ações.

enfim, cá estou pronto para voltar a ativa. dessa vez, prometo (inutilmente) não propor-me grandes planos ou sonhos mirabolantes a cada troca de olhares no coletivo, nas festas, elevadores e sentidos contrarios de caminho nas calçadas do centro com a futura talvez quem sabe mãe de meu casal de filhos.

eu me juro (mesmo sabendo ser mentira deslavada e hipocrita) não esperar muito desse meu novo romance regado a cerveja e suor.

"não desista, meu caro" é dito na minha direção várias vezes por quem gosta de mim e sabe onde todo esse sentimento do mundo vai dar (eles tendo conciencia ou não). então deposito homelpaticamente as minhas fichas nos conselhos dados sem nem olhar os dentes para não me opor a chance de apostar e ver se vai dar certo.

afinal, também tenho direito a concorrer a chance de conquistar a sorte de arranjar a futura criatura pela qual possa desistir do aluguel e comprometer-me a pagar um graaaande financiamento de caixa econômica a medida que escolhemos juntos os móveis que ela dividirá no cartão, boletos e afins.

(como eu disse, antes mesmo de acabar o texto já estou me traindo inflando meus sonhos. maldita previsbilidade fatalista.)

digo isso por apostar na conversa que dá mote para samba de copacabana de "...sem sorte no jogo, feliz no amor..." já que não sou de acreditar que eu ganho em bingo. mas só para garantir vou ver se sonho com alguma coisa e vejo em algum livirinho em qual bicho eu jogo.

dependendo de quanto eu perca pode ser que ganhe em outros cantos.



poney bonitinho, não acham?

::: posted by RICARDO WANDERLEY GOMES SILVA at 12:52 AM


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Sexta-feira :::

Quando ele sair, ninguém viverá!

Nesse depoimento o dono do Açougue Mill, que detém cerca de 45% do monopólio de fornecimento de carne desta cidade. Ele foi encontrado depositando ao longo de alguns meses restos de corpos humanos em um bueiro atrás de seu prédio e sede da empresa há 200 anos, em frente ao escritório do FBI em NY. A policia chegou ao suspeito após denuncia da ONG Defender’s of Street (defensores das ruas) que lida com desabrigados e desfavorecidos economicamente em geral. Seus membros propuseram a ação pré-investigativa ao confirmar o crescente numero de desaparecimentos de mendigos e garotos de programa ao redor do ponto sem nenhuma explicação plausível nesses últimos anos. Os restos mortais encontrados com a vitima batem com o DNA de alguns dos auto-proclamados parentes dos mortos.

Veja agora as demais informações cedidas pelo livro do escrivão da época Baroth Smith e conseguidas com exclusividade por nós do canal E!

Depoimento recolhido pelo delegado Jeaph Iouth da CIA, do 13º distrito de Nova York. O responsável pelo setor de crimes bizarros promovidos por celebridades.

Fernando Marcerck. Homem, gordo, careca e de dentes postiços que tem todo o dinheiro do mundo e não sabe a mínima como agir como tal. É horrível. Ele esta suando feito um balde de gelo no sol, preso dentro de um paletó minúsculo que só faz aparentá-lo mais gordo do que é, mesmo sendo muito gordo sem aquilo. É plausível o pavor que ele tem. Precisa sair de lá urgente e hoje nos alegou um motivo impossível de ser ignorado. Eu adorei ouvi-lo.

Senhor delegado, veja bem, eu não posso ser preso. Mesmo que aquilo lá tenha acontecido no beco quando seus soldados chegaram e me renderam. Veja bem doutor eu sou comerciante honesto, não sou como uns e outros que vivem falando mal da policia, da política e do escambal! Não, sou dos que respeita as regras e aceita a ordem como parte do meu ser. Caso não acredite, como pode comprovar o sucesso de minha família, meus imóveis e demais bens? Como pode justificar minha bela esposa, minha filha abençoada por deus por sua beleza e inteligência e meu garoto de sucesso em universidades conquistas pelo esforço do ensino particular? Só provo do dinheiro do estado quando preciso passear de carro em rodovias federais e habito seu solo. Eu sou provedor de dinheiro honesto sim! Não sou caim quem rouba o esforço de viver dos outros para mostrar a Deus (e a sociedade) como sendo seu. Ainda sou útil para a sociedade. Meu negócio herdado do meu bisavô Marcerk, natural de uma vila de mil pés de pessoas no máximo (contabilize quantas pessoas são) que se localiza onde já foi a Bielorussia, e como ele eu sempre me provei perfeito nos negócios de sucesso que sustentam nosso luxo.
Mas ele não veio para cá como um simples vagabundo imigrante que fugiu de suas terras por elas estarem devastadas. Na verdade até estavam, mas foi por causa dele que deixaram de ser. Ele era rei em nossa terra natal. Sim, e com essa herança divina ele perdeu a família e trouxe O ser que dizimou o reino que não existe mais. Essa é a herança mágica que o povo do meu bairro e meus filhos de asas escondidas por debaixo das túnicas que sempre andam tem correndo em suas veias e artérias multicoloridas.
E aqui, fugido e em segredo, vendendo como raras pedras de ouro de vários quilates que sempre cobriram o nosso chão ele se fez simples açougueiro em menos de três dias! Sua loja que fica na avenida central, a qual moramos em cima, estava feita (segundo alguns dos mais antigos historiadores) em dois dias e meio. Isso não é prova suficiente?
E desde meu bisavô nos fazemos isso. Procuramos as pessoas que vivem nas ruas e cruzamentos interdimensionais e lhe damos um abrigo para o resto do tempo do mundo. Isso não é assassinato. Eles vão para outra dimensão! Se encontram finalmente! Entendeu? Respeite minha fé!
É que nos tínhamos de justificar o sangue de nossas roupas que sempre ficam quando se dá fim num ser que não sabia que ia morrer. Quando soubemos que vocês mortais também consumiam carne pensamos que seria uma ótima idéia. Então viramos açougueiros. E nos nossos carregamentos de carne escondíamos no depósito os corpos dos que demos um fim. Tratávamos de seus interiores, verificávamos se estavam na temperatura certa. Se não perderam com o tempo seus nutrientes e energias mágicas que aquietam... o Outro...
E somente um por vez, aquele que fosse realmente dono do legado mágico, poderia saber de sua origem e destino aqui na Terra. E por isso a nossa loja é de família. Dos funcionários ao presidente. Só houve nascimentos quando precisamos ter necessidade mercadológica. Como em Admirável Mundo Novo. Somos desse novo tempo onde à magia e o impossível não passa de ciência que vocês ainda não têm explicação. E somente ele pode levar os cadáveres mutilados até o buraco.
Meu avô nunca construiu uma casa. Ele fez uma prisão para o flagelo do mal que escapou de nosso universo arrasado e ainda não sabe disso. Ele hoje mora no escuro, pois foi assim que deixou nossa antiga morada. Só se acalma quando come o que já foi vivo. O que manda naquele mundo que está devorando no momento. É inteligente brutal conosco e será quando ele sair. E é essa nossa função. Pois se Ele perceber isso sairá das trevas onde habita para nossa luz e devorará a todos. De mim que já deveria ter morrido com meus compatriotas interdimensionais mágicos ao senhor com sua filha que nascerá em dois dias. Como eu sei?! Já lhe disse: é minha mágica natural. Não há perdão de seus dentes, garras e cor. Eu já vi o seu sorriso cheio de gordura quando ponho a carne no bueiro que é à entrada da caverna embaixo de Nova York. Bem atrás do nosso estabelecimento comercial e residência.
Senhor. Pois meu bisavô não construiu uma casa, mas uma prisão para alguém que ainda não sabe que está preso. E se eu não voltar para lá antes que o detento note, vocês pagarão caro.

Não sei se o delegado vai continuar o Processo, mas ele soltou o nosso salvador depois de ouvir isso.



::: posted by RICARDO WANDERLEY GOMES SILVA at 8:52 PM


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Rotina de sorveteria.

Tranco meu pai dentro de casa e imploro aos céus para dar tempo. Corro para sorveteria e encontro Thiago assistindo calmamente garotos se servindo com calda zerada e doces que mascaram o sabor do sorvete, mas todo mundo adora. Axé music alto revelando nossa localização. Esbanjam despreocupados mesadas mais gordas que os pais chamam entre si de fim de décimo terceiro. Já passa das seis horas. Vamos rápido já que hoje é dia de paredão no BBB e o expediente invariavelmente acaba mais cedo.
Desligo o som puxando direto da tomada. Grito: Thiago fecha tudo agora! Todo mundo olha sem saber o motivo de ser enxotado por um doido com olhos arregalados. Pergunto se os pirralhos moram próximo. Não moram. Melhor ficarem aqui, seriam pegos facilmente caso saíssem agora. Da ultima vez que vi estava lá na esquina. Thiago quer por que estou em pânico. Quer saber por que vamos fechar quatro horas antes do previsto. Não dá tempo, falo depois. Eu juro. Ponho todos para dentro em dois tempos. Cadeiras e mesas deixadas do lado de fora. Tomara que ele não destrua nenhuma. Cada vez que escuto o barulho meu coração vai parar na garganta.
Quando finalmente o cadeado fecha o portão eu solto um ultimo suspiro e apago as luzes. Olho para o fundo da sorveteria e vejo a porta de trás aberta. Entre correr bancando o herói e rezar escolho a intervenção divina quando sinto o chão tremendo pelos passos cadenciados. É igualzinho ao filme. Estamos amontoados do jeito que podemos debaixo do balcão. O mais novo dos meninos começa a chorar. Pede pela mãe. Ninguém entende nada. Digo que é um esconde-esconde. O melhor de todos, mas ele tem de ser macho. Ponho a mão na sua boca e digo pra morder caso senha medo. Todo mundo olha para o chão. Somo eu e Bush filho, criamos um pânico tamanho que a essa altura ninguém nos questiona mais.
A sombra da esquina ganha corpo físico. Toneladas de músculos, com quinze metros de altura, garras do tamanho da minha cabeça se revelam como temia. O focinho cravejado dentes de um palmo e narinas sensibilíssimas aspiram o ar de onde estamos. Fungada forte o suficiente que capaz até de puxar nossas almas para fora dos corpos. Rezo para que nenhum celular toque, ninguém espirre, que todos continuem olhando para o chão e aquilo acabe logo. Devia ter tido coragem para fechar a porta de trás. Teríamos mais chance. Tenho vontade de vomitar, de chorar pedindo a minha mãe. Penso em tudo que ainda não fiz e juro para Deus realizar caso ganhe essa segunda chance. Se o menino morder mais forte acho que minha mão vai sangrar. Dói demais. Ele quer fugir e eu seguro o mais forte que posso entre meus braços. Quer gritar, mas falo para ele ficar quieto num sussurro que nem sei se pode escutar.
Um rosnado chateado de quem ainda não matou a fome prenuncia a despedida da morte. Ele passa seguindo o caminho da rua. Anda até a frente da loja, derruba algumas cadeiras por birra e parte.
Aguardamos até finalmente nos sentirmos seguros. Thiago olha pela fresta da janela e confere se esta tudo em ordem. Ainda dopados pelo medo ficamos sentados lá dentro. Meu irmão resolve abrir novamente o portão. Eu acendo as luzes e juntos levantamos as cadeiras derrubadas. Os meninos põem novos sorvetes, pagam, agradecem dizendo que vão voltar e vão embora olhando para os lados.
E assim passamos o fim da noite ao som de MarretaYou Planeta. Cumpro minha primeira promessa: respeitar o gosto musical dos outros.



::: posted by RICARDO WANDERLEY GOMES SILVA at 6:58 PM


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Segunda-feira :::

Terapia

Saio do banheiro limpando o rosto molhado com uma toalha felpuda branca. Caroline deitada de bruços. Pernas pro ar fazendo um xis com as canelas, rodopia os pés enquanto assiste Sex Channel apoiada num dos cotovelos. Ela acompanha a programação como se estivesse vendo Ana Maria Braga fazendo um bolo de nozes antes de ser atendida no dentista.
Sento-me a seu lado e pergunto qual o problema – Deixa para lá” – Voz de quem afasta a lembrança ruim feito mosca quando dorme. Muda de posição e me abraça. Graças ao ar-condicionado os bicos dos seios dela estão duros. Adoro disso. Depois de mais uma cena – uma loira e três negões numa academia – ela resolve abrir o jogo.
- Marcelo perguntou se a Vera, aquela que eu acho que tem um caso com ele, pode ser a madrinha da gente.
- E você não falou nada? – digo fazendo cafuné naquela cabecinha linda.
- Falei que ia pensar a respeito.
- Sei lá. Mas pelo menos você dizia o que estava sentindo. Aposto que ele nem sabe disso. Qual o problema de você falar que está com ciúmes?
- Não estou com ciúmes – Ela desvia vista quando fala isso.
- Claro que não esta.
- É que não gosto de me sentir insegura, muito menos a dona dele. E aí?
- Meu bem, seja caridosa e deixe a pobrezinha ser a madrinha – Minha voz é pausada e dita num tom de cantiga de ninar – Que eu saiba quem vai casar com ele no fim do mês vai ser você. Marcos come na tua mão, menina. E na hora de jogar o buquê veja se mira para cair nela só pra ver se a dita tomava outro destino.
- Taí, gostei. Era a coragem que eu tava precisando. – A tensão acaba completamente e aquele sorriso aparece para iluminar o quarto.
- Então vem cá que ainda tem tempo de dar mais uma pra comemorar esse casório.



::: posted by RICARDO WANDERLEY GOMES SILVA at 11:51 PM


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Testosterona Pura.

Carlão é homem, forte e canalha. É macho e fim. Sendo assim não pode negar fogo nem oportunidades de provar isso para si e para quem estiver perto. Um exercício constante posto em prática a fim de firmar seu papel de homem, macho, forte e canalha. Nada lhe tira do sério a não ser qualquer insinuação sobre ser corno, viado ou filho da puta.
Voltava para o morro do Come Bem depois de passar o dia labutando. Ônibus lotado e um abafado do caralho. Estava sentado quando viu aquela mulher subir na Avenida Getulio Vargas. Saia branca, blusa de seda amarela com alcinhas. Cabelo cacheado posto para um dos lados feito uma serpente subindo a cabeça dela, domada pela fivela em forma de borboleta dourada posta na altura da têmpora esquerda. Duas paradas depois uma senhora baixa, grisalha e inofensiva também entrou naquele inferno. Percebendo a chance de ouro ofereceu o assento para quem tinha mais idade dando-lhe as costas para ficar por de trás da dona da fivela dourada. A mulher exalava lavanda de neném e isso a transfigurou em ninfeta. Os braços de Carlão estavam segurando a barra de ferro ensebada do alto e seu suor combateu o perfume dela. O homem sabia que era um armário. Só pensava em arregar de qualquer confusão quando tinha alguém armado de passa-fogo ou em ultimo caso em menor número. Ali não teria ninguém com peito para impedi-lo. Na primeira curva fechada pendulou o corpanzil despretensiosamente. A massa de carne, rostos, ossos sentada e em pé em silencio foi espectadora da encoxada. Quando ela sentiu olhou para traz sem acreditar no que estava acontecendo deparou-se com um homem enorme de cara de paisagem. A miserável atinou a intenção do cafajeste, mas o ar fugitivo do susto levou consigo sua coragem. O garanhão esfregava seu pau duro por debaixo da calça jeans surrada na bunda grande daquela figura tenra. Uma princesa de filme da Disney passiva em todos os sentidos. Cada curva uma alegria, cada freada uma festa no ego de Carlão. A moça de saia fechava e revirava os olhos e mordia os lábios sem saber o que fazer. Na tentativa de não demonstrar nada falhava miseravelmente. Ele percebia e investia mais forte e menos discretamente. Era desconcertante, pois já havia gente percebendo e ambos sabiam disso. Houve um principio de crise de riso quando ela quase tomou coragem de mudar de lugar. Acabou hesitando com receio de ser seguida dentro do coletivo. Ela pediu parada e desceu. Antes de ir arriscou uma olhada de rabicho de olhos para Carlão e sorriu revelando a safadeza que toda rapariga tem dentro de si e o pai não pode saber. Ele estufou mais o peito até quase não agüentar ficar de pé. Olhou para os lados para deixar claro que aquela mulher não era de mais ninguém. Coitado de quem se declarasse dono daquela formosura. Só bastava uns três bem merecidos sopapos na cara de algum besta para a noite de exercício de macho de Carlão ser perfeita. Foi para casa e parou no bar do Gordo. Na oitava cerveja colocou a mão no bolso para comprar amendoim quando deu por falta da carteira.
Em outro canto da cidade comemorava mais um golpe bem sucedido uma mulher vestida de saia branca, blusa de seda amarela com alcinhas e cabelo comprido, preso por uma fivela em forma de borboleta que curtia alucinadamente a sexta-feira na companhia de uma senhora de aparência inofensiva, muito baixa, grisalha e dedos leves. Cortesia da carteira recheada de seu Carlão.




::: posted by RICARDO WANDERLEY GOMES SILVA at 4:54 PM


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Domingo :::

Cabeça de Porco

Continua em destaque o incidente diplomático envolvendo São Malaquias e Tirolez, países da Europa Oriental de historia comum. Duas nações rivais (que já foram um único país) e passam por um delicado momento de hostilidades históricas ressurgindo.
Há cerca de cinqüenta anos, quando São Malaquias não passava de uma província submissa a Tirolez, o açougueiro Sebask Tertev – vulgo Cabeça de Porco – apaixonou-se perdidamente pela filha do Alfaiate Carl Munnk. Inconformado por ter tido o pedido de casamento recusado por um cidadão de uma região considerada “inferior”, decidiu vingar-se seqüestrando a moça. Tudo isso na frente de uma multidão estarrecida que não teve coragem de intervir em um ato de tamanha barbárie. Dois dias depois os braços esquartejados da jovem foram entregues no meio da noite num embrulho feito com jornal velho, normalmente utilizado para embrulhar a carne do seu açougue.
Não era a primeira vez que um evento desse nível era registrado em mais de 200 anos de historia comum daqueles povos. Contudo, aquilo acabou sendo a gota d’água para um povo cansado de tantas humilhações por parte do distrito mais expoente. Em cerca de seis meses organizou-se uma frente para-militar que marchou dizimando tudo que fosse possível em Tirolez. Por terem sidos pegos de surpresa a derrota foi fulminante. Ao fim daquele ano era reconhecida pela ONU a Republica de São Malaquias, detentora de cerca de 50% do antigo estado do qual fazia parte. Sebask Tertev foi assassinado de forma tão brutal quanto o da sua vitima. Quando foi capturado em sua residência, o psicopata mantinha viva a filha de Carl Munnk. Completamente esquizofrênica.
Impulsionados pela vitória contra os antigos opressores, São Malaquias passou a desenvolver em ritmo furioso sua economia e avanços sociais. Em contrapartida, o povo Tirolez não conseguiu seguir em frente. Seu IDH passou a ser um dos piores do mundo. O estado passou a sofrer de uma depressão em massa como nunca se tinha registrado antes em nenhuma nação do mundo. Não havia mais produção de alimentos, de energia, vontade ou desejo de viver. O índice de suicídios chegou a taxas tão elevadas que no seu auge um em cada dois habitantes teve um parente que se matou. Atualmente são cerca de cinco habitantes por pessoa nessa situação.
O impasse em questão é referente a casa de Sebask Tertev. Localizada em Montev é considerada uma das cidades mais miseráveis do país. O sobrado ainda continua de pé, exalando uma aura de vergonha que contamina todos aqueles que por ela passam. É taxada pelos habitantes como a responsável pela atual (e lastimável) situação econômico-pisco-social dos habitantes.
Não há investimento estrangeiro de qualquer espécie na região. Atualmente apenas o governo de São Malaquias reverte um valor mensal para impedir que o monumento – tratado como marco de sua independência – seja demolido ou abandonado. Esta verba é uma das principais fontes de renda do povo Tirolez que se engalfinha sempre que é anunciada a presença de uma nova vaga para trabalho. Várias mortes já foram registradas durante o processo de recrutamento.
Apesar de ser taxado de atração turística internacional, não há registros de turistas que não sejam procedentes de São Malaquias. Quando lá estão urinam e defecam na sua frente e interior para apreciar os zeladores da atração limpando impassíveis os dejetos expelidos. No contrato que garante seus empregos, os funcionários são instruídos a não importunar os visitantes durante a sua estadia e a casa precisa permanecer impecável. Dessa forma impressionante casa mais bem conservada do país é a de Sebask Tertev.
Resta saber se os embaixadores das nações unidas mediarão os debates ou seguirão impassíveis por não conseguir suportar a sufocante atmosfera carregada de energia psíquica de revolta da região.




::: posted by RICARDO WANDERLEY GOMES SILVA at 12:43 PM


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Sábado :::

Eu sou quinhentos e mais o infinito!

Pode me chamar de tudo, nega! Quem você queria agora encaixado nas tuas pernas, dando esse abraço, beijando a tua boca e onde mais precise. Basta fechar os olhos e não ligar para realidade. Magia que só ocorre quando as pálpebras estão totalmente à mostra e só você me enxerga com os olhos fechados. Fiquei interessadíssimo em ser sua quimera particular enquanto você tiver o que eu quero. Mil transformações por minuto na velocidade do seu pensamento. Nem precisa me consultar. Você decide e pronto. Aconteceu.
Eu não me importo de ser taxado de corno. Por sua causa nem ligo se você trocar meu nome. Mesmo que não seja e saiba disso eu sou aquele tarado, o seu amor, o responsável pelo "Meu Deus" e a tentação. De ser aquele amigo e o primo que nunca te notou de outra forma mas você nunca esqueceu. Tanto faz para mim ser Paulo, Junior, Guto, Claudia ou Alcebíades. Sou super-homem voando depois de salvar seu mundo, o Cavalo de Fogo te levando pra cavalgar em Darshan e o príncipe no corcel branco. Atendo por qualquer nome, apelido, alcunha, grunido sem sentido, palavrão e o escambau agora. Depois eu não garanto.
Sou todos aqueles do pôster grudado na parede e da porta do armário que você encheu de beijos gastando o batom da sua mãe. Canto para seu nome em inglês, espanhol e três línguas a sua escolha. Largo a mocinha só para lhe por no lugar dela em dois tempos.
Para te agarrar me metamorfoseio em homem, mulher, criança pecadora de potencial pra chave de cadeia e o senhor charmoso pai da sua amiga.
Grita bem alto que eu não ligo e digo SIM! Põe para fora aquele palavrão cabeludo, escondido desde a época que sua mãe e a freira do catecismo disseram pra não dizer pros outros.
Sonhe acordada que eu sou aquele camarada por quem daquela vez que você acabou esfregando suas coxas uma sobre a outra, freneticamente, quase perdendo o controle de tudo e lhe acabou lhe deixando exausta, mesmo sem um toque de mais ninguém exceto os que aconteceram na sua cabeça luxuriosa.
Ah menina, o que eu não faço para ficar contigo...



::: posted by RICARDO WANDERLEY GOMES SILVA at 2:44 PM


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